quinta-feira, 13 de junho de 2013

MAESTRO JOSÉ DUARTE TENÓRIO ...

Zé Puluca
Músico, Maestro, Cronista, Professor e Compositor. José Duarte Tenório, conhecido popularmente como Zé Puluca, nasceu no município de Bom Conselho em 30 de julho de 1927.  Professor das línguas, portuguesa, inglesa, latim e francesa, lecionou nas Escolas Frei Caetano de Messina, Colégio Nossa Senhora do Bom Conselho, São Geraldo e Mestre Laurindo Seabra, foram mais de cinquenta anos ensinando.



Zé Puluca aos 5 anos

Ainda jovem, José Duarte Tenório começou demonstrando seus pendores para vida artística por ser apreciador das belas coisas da vida do seu tempo; e em tudo o que o cercava. O chamavam de “Puluca” alcunha que herdava do seu pai, onde perdurou por toda sua vida, aprendeu a falar inglês sozinho com a cinematografia. Com o advento do cinema falado passando a pronunciar os belos musicais da Broadway, fonte inspiradora que o tornou amante da música.


Zé Puluca e filhos
Devido a uma doença crônica de “Asma”. Em consequência dela, na época de inverno por conta do frio intenso em sua cidade natal, seu pai refugiava com o pequeno Puluca na casa dos parentes na capital pernambucana. Nesse período passou a frequentar teatro, assistindo belos consertos e recitais de famosas orquestras, conduzindo cada vez a ter gosto pela música.





Zé Puluca e a Orquestra Villa Lobos
Aos nove anos se apresentou no Cine Rex de sua cidade Bom Conselho, tocando lindas valsas e dobrados pátrio com o seu piano de garrafas, igual ao que viu no circo em sua infância. Essa foi sua primeira apresentação artística, surgindo daí sua vocação pela música.






Posteriormente frequentou a escola de música da sua cidade “Sociedade Cultural dos Artistas” sobre os cuidados do Maestro Sargento Égenes. Como aprendiz começou a tocar clarinete, mas o seu sonho era aprender saxofone. Entretanto só existiam dois saxes na referida escola, e só um, seria para o melhor aprendiz, onde após ter submetido a teste, e por ter tido melhor desempenho Puluca passou a ter aula de saxofone. 





Percebendo que tinha dificuldades em leituras de partituras, procurou a Professora Iracema Braga onde aprendeu com seus estudos de solfejos, a tocar além de piano de garrafas, bandolim, violão, cavaquinho, clarinete e saxofone. 


Bem jovem começou a trabalhar nas Lojas Paulistas como caixeiro 1945. Puluca casou muito jovem, porque seu pai temia outro conflito mundial e não queria que seu filho fosse convocado.






Aos dezessete anos conheceu o Maestro Pernambucano Nelson Ferreira em uma prestigiosa visita a Bom Conselho, Puluca acompanhado pela sua esposa se dirigiu até casarão do seu tio Senhorzinho, pois só lá, tinha piano, Nelson Ferreira queria tocar seus frevos e assim aconteceu... aproveitando esse momento impa, Puluca apresentou suas habilidades com alguns instrumentos que aprendeu a tocar, acompanhando alguns frevos do eterno Maestro que ficou encantado, convidando-lhe a ir ao Recife. Só que ele não foi...


Casado com dois filhos ficou desempregado ... As Lojas Paulistas fecharam ... posteriormente chegou em Bom Conselho o grande Circo Nerino (28/12/50 a 23/01/51).


Entre 1913 a 1964, circulou por todo o Brasil, cativando plateias, deixando saudades e marcando a memória de muitos garotos brasileiros, entre tantos, lá estava o nosso jovem músico Puluca, por estar desempregado passou a trabalhar como Regente da Orquestra do circo, a convite do Nerino.





Na ocasião Puluca seguiu em turnê por dois anos em vida circense, onde possibilitou conhecer alguns artistas, que ainda não eram famosos; Manoel da Nóbrega, Palhaço Picollino, Ângela Maria, Grande Otello, entre outros. Em 1953 finalmente para alegria da sua família, regressou do circo.




Já em terra de Papa-Caça assumiu como Maestro a nova Banda de Música com o nome Villa Lobos, onde na sua gestão preparou vários profissionais.







Na década de setenta, o Maestro José Duarte passou a gerenciar na Cidade de Batalha-AL em uma das filiais da fabrica de queijo da Fazenda Santa Maria, devido o seu afastamento da Villas Lobo, assumiu em seu lugar o Sr. Boanerges Gico como Gestor da Orquestra.


Já mais maduro pela diversidade da sua vida, compôs e escreveu poemas, crônicas, e uma variedade de melodias com lindas valsas para formandos.




Com o seu regresso da cidade de Batalha-AL, assumiu novamente a Banda de Musica Villa Lobos, como artista deixou por onde passou um legado de fãs em muitos lugares que tocou. 1957 compôs uma linda marchinha de carnaval “Rainha Ideal” para homenagear Miriam Vieira Belo, que naquele ano foi um das candidatas da Rainha do Carnaval.





Em bom estilo Perez Prado, seus músicos, usavam calcas brancas ou pretas com paletós brancos e gravatas borboletas, sendo sua orquestra reconhecida como uma das mais apresentáveis da região. A juventude bonconselhense, aprendeu a dançar, a gingar, a rodopiar pelos salões do Clube dos 30 ao som da Orquestra Villa-Lobos. Em sua existência Puluca é autor, de mais 200 composições; frevos, marchas, fox-trot, samba, boleros, melodias juninas, canções religiosas entre outros.





O Hino – Saudação a Bom Conselho, foi uma homenagem a turma do Colégio São Geraldo em 1956, Hino esse reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial de Bom Conselho, Lei 1.484/2010 (autoria do então vereador Carlos Alberto Pereira de Oliveira), suas composições foram todas reconhecidas como Patrimônio Cultural Imaterial de Bom Conselho, Lei 1483/2010, (também autoria então do vereador Carlos Alberto Pereira de Oliveira),  é autor músico do Hino Oficial do Município de Iati-PE (1981).





Maestro Puluca era conhecido por grande maioria da população da cidade de Bom Conselho e região, por sua irreverência e alegria de viver,  animou os melhores carnavais, matinês e bailes para a sociedade de modo geral, um genuíno carnavalesco, sua residência era muito visitada, pois em vida o mesmo era bastante requisitado pra tudo; serenatas, trupes que vinham de fora, festas de santos, bordas e aniversários, formaturas ... Mesmo sendo muito sonhador, os últimos anos de sua vida foram atribulados, quando mais precisava de paz e conforto.





Com tudo sua vida foi um grande exemplo ... sempre devotado ao civismo e a Deus, ele foi um “Paradoxo” daqueles tempos onde jamais existirá em Bom Conselho e região um Zé Puluca retratava a historia de sua terra. Faleceu em 04 de setembro de 2002, aos 75 anos, deixando saudades e grande lacuna na vida da esposa Sra. Antônia de Freitas, de seus filhos Sandoval, Sandoildo, Sérgio, Samuel, Silvânia e Sônia, irmãos e amigos.



  
“Toca Puluca, Toca José, o Povo Te Ama, o Povo Te Quer”.