domingo, 14 de maio de 2017

O Carnaval na minha infância...


O carnaval me fascinou desde a mais tenra infância que me deixava alucinado querendo participar dos blocos que se formavam: Troça, Ala Ursa, e mascarados. Que encantava no colorido e especial na animação de cada folião. Na minha Cidade do Recife era a delícia dos meus tempos de garoto. Jogava as serpentinas como eu observava os adultos fazerem, e ficava enfeitiçado pela direção imprevisível que elas tomavam. Tudo era fascinação nos áureos tempos em que ainda se podia dar ao luxo de brincar carnaval, sem temer a violência e as drogas. Elas existiam, mas de uma maneira mais amena e sem ostentação. Em todos os carnavais de minha infância a fantasia era indumentária insubstituível, uma espécie de entrada obrigatória e evidente para qualquer reunião da criançada enlouquecidas pelas brincadeiras informais e querendo seguir a Ala Ursa que fazia a abertura do festejo popular. E nas pontas de ruas, ouvíamos Capiba a cantar, nas mágicas vitrolas que já existiam por lá. Nunca esquecerei o leve e inebriante torpor que aqueles três dias me causavam com sua brilhante alegria. E olvidávamos até das mágoas infantis naquele compasso exuberante o que me faz recordar a época com imensa saudade. Os blocos que passavam faziam-me delirar. Essa festa folclórica, tão linda e importante porque faz a tradição do nosso povo, que inebria a quanta dela participam. Refiro-me ao carnaval espontâneo que brota da alma das pessoas para o corpo necessitado de extravasamento e se refaz em fantasias ritmadas explodidas no compasso de cada melodia. Carnaval que não precisa de prêmios para se revelar nascendo em cada pessoa, em cada brasileiro com força extraordinária, a encontrar uma fonte talvez de compensação numa vida sofrida e desamparada. Os bailes de máscaras tinham uma atração ímpar pelo colorido multiforme, mistérios guardados que pareciam saltitar dentro de cada um. É como se pudessem realizar nessa personificação a representação da vida que queriam encarnar. Lamento que a nossa festa popular tenha perdido a naturalidade que fazia com que as pessoas pudessem se desprender do barulhento e ao mesmo tempo harmonioso som cultural, transformando essas horas ininterruptas em momentos prazerosos, cujo cansaço dilacerava tudo que pudesse haver de energia negativa. Só desejo que quando as pessoas vierem novamente a compreender o espírito do verdadeiro carnaval, possamos tê-lo sem as tensões que hoje. Viva o Carnaval!